Não fosse o Fado tão vil e cruel,
e eu teria o que há tanto anseio...
Uma vida com sabor a mel,
e por dentro não ser tão feio.
Mas não tem culpa o Fado,
que tudo faz o que lhe é ordenado,
grande pau-mandado...
Sim, porque eu sei que és Tu
o manda-chuva, és Tu.
O mau da fita és Tu. ÉS TU!
Sei que daí te ris e me gozas
das minhas rimas e das minhas prosas.
Das minhas letras horrorosas.
Mas sei que me adoras,
lá no fundo.
Não sei é porque fico em segundo
nesse fundo imundo e profundo,
em que sou mero vagabundo
num moribundo mundo
em que me afundo e confundo.
Não gosto e não queria.
