A minha voz escorrega,
nas notas musicais e entrelaçados,
escorrega, por entre os dentes,
pelo ar fora, escorrega e perde-se.
Por isso não consigo cantar o Fado
que me canta a mim
sem dó nem tão pouco piedade.
Ou sequer um esgar de saudade.
Grita-me e desdobra-se por mim abaixo
deixando-me sem encaixo nem amparo.
Amparo.
