Epifania n. 5

Olho pela janela do meu quarto,
Em noite de Maio vejo flores de Março,
E um cigarro que seguro com o braço,
Destro de nascença, esquerdino quando disfarço.

Penso à velocidade da luz,
Na vida de Londres que me seduz,
Em sonhos do Porto, em homens nus.
Em filmes de terror, minha sempre cruz.

Mas não avanço nem regrido,
Não me canso, nem progrido,
Estagnado, mas criativo,
Continuo decidido

Nesta vida de persistência,
Sucessos, falhanços, paciência.
Acima de tudo errada carência
De aprovação, reconhecimento e opulência

Que me envergonha dos pés à cabeça,
Me implora que finalmente cresça
E perceba que não há quem peça
Por atenção, quando começa.

Há sim, o que faz e acontece,
Sem saber que isso aquece,
Quem realmente merece.

Eis a minha prece:
Ser esse que perece
Feliz com quem é
E não com o que parece.
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Rye 24/01/2023

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1 de Abril.