o fascismo de hoje não é menos fascismo por ter outra cara. faz sismos por birra e embirra e embarra com todos os que lhe são diferentes. é individualista e snob, irresponsável e pobre. é incongruente e é demente, de mente naturalmente egoísta.
o fascismo de hoje não é menos violento por andar à vista e parecer ridículo, inconcordável, conspícuo sempre-em-pé. mais confortável é, talvez, por fingir tamanha fé, em si próprio, no seu ideal, vociferante vaidoso e descarado sem igual. iludido e cego, surdo no seu pedestal, grita como outrora, a memórias esquecidas ou distraídas agora.
o fascismo de hoje é fantochismo de ontem, mascarado de amanhã. é vilã ideologia de extremos, sem barco nem remos que naveguem a nação. é água sem pão que alimenta vulnerabilidades com habilidosas manobras à rectaguarda, alimentando-se a si de uma farda que ostenta com orgulho, manchada de sangue e entulho.
da vida de outrem oportuno ladrão, o fascismo não conhece perdão. corre em frente de palas nos olhos e espada na mão, agarrado à fralda, qual criança sem não. o fascismo é manhoso, contagiante perigoso, e por isso requere cuidado, temor e atenção. virar-lhe as costas é sentença, iludida crença de que o tempo tudo cura.
o fascismo existe e perdura, só precisa de justa e fria objecção que lhe acalme a fervura.
